BrighterNight
|
just a small town girl, living in a lonely world.
|
Sussurros de uma mente apaixonada.
♥ segunda-feira, 18 de outubro de 2010 19:44
Vi-o caminhar entre os pedregulhos, o sol a brilhar acima de seu corpo semi-nu visivelmente lotado por gotículas minúsculas de suor. O céu azul- piscina lutava contra as nuvens que giravam em suas próprias órbitas, criando formas e desenhos boçais. Encarei-o de soslaio, e ele sorria. Nada muito afetivo, apenas um sorriso tímido, pequeno e, no entanto, seus lábios se torciam e em linhas grossas, demonstrando uma relevante fresta de brutalidade. Traços fortes, eu diria. Continuou a andar, o cabelo ruivo a dançar junto ao vento, que às vezes arrebatava alguns fios em sua face. Apertou os olhos, alguns passos a mais, e seus pés agora traçavam linhas tênues na areia junto à água do oceano à nossa frente. Encolhi-me momentaneamente, escondendo-me entre as sombras das árvores ao meu redor. A brisa suave dançou por mim, causando-me ligeiros arrepios; os cabelos de minha nuca ergueram-se involuntariamente, assim como o sorriso que se abria conseqüentemente em meus lábios. Não pude evitar, já estava lá. Entrementes, a sensação já se deliciava de meu ser, banhando-me com seus braços invisíveis ao redor de minha cintura, puxando-me para si. Deixei-me cair em um abismo sem fim... Era impossível recuperar a consciência sendo que ele estava tão perto. Meus olhos pairavam sua silhueta a brincar à beira da imensidão verde-escura diante de nós. Ouvi um grunhido rouco escapar de minha garganta deficiente, um fio de voz suave... Inaudível. Exclamei seu nome inúmeras vezes em minha mente antes de sequer pensar na possibilidade de aclamar em voz alta. A vontade era tamanha que acabei por derramar uma lágrima suficientemente cheia de pavor que meu corpo conteve-se com as imagens lúcidas e excepcionalmente vívidas que criava enquanto o via passear sozinho pela praia. Infelizmente meu ser implorava pelo dele, minha alma gêmea. Contudo, era tarde demais. Tarde demais para voltar atrás e rever os erros de uma vida conturbada. Jurei perante as estrelas que jamais voltaria a amá-lo; uma promessa dentre tantas que quebrei sem o mínimo de esforço. Até o perfume natural de sua pele - o suor seco mesclando-se ao cheiro de hortelã de seu hálito - emanava espasmos grotescos e capazes de fazer-me tremer. O que fazer? O que pensar? Desistir? Deixá-lo livremente para amar outra pessoa? Perguntas, perguntas e mais perguntas. Todas sem respostas. As entrelinhas encontravam-se indispostas, vazias... Encarei-o uma última vez antes de dar meia-volta e desvencilhar-me dentre as sombras; o sol agora banhando meu corpo febril. Só mais uma olhada... Seja forte, não deixe o amor vencer. E, no entanto, vir-me-ei lentamente para encará-lo enquanto meus pés ganhavam velocidade e o rumo ao meu destino. E antes que eu pudesse pensar em qualquer coisa, minha mente gritava silenciosamente aquelas três palavras... As seis letras que nunca descansariam até serem ditas: Eu o amo...
▲ Back to top -
0 comment(s) ;
leave a comment