BrighterNight
just a small town girl, living in a lonely world.
a walk in the forest.
♥ quarta-feira, 1 de setembro de 2010 14:46

Dois, três passos e meio. Pulei a pedra pontiaguda, atravessei a correnteza, corri entre os galhos quebradiços e folhas secas de outono. O coração martelando meus sentimentos em um único movimento descompassado. Tum. Sedento, faminto por teu gosto em meus lábios, teu cheiro em minhas narinas infladas e atormentadas. Saudades, principalmente do teu cabelo sedoso entre meus dedos brincalhões. Ofeguei, tentando descontroladamente segurar as lágrimas intrusas e às vezes tão conhecidas por meus olhos. Onde estás, meu amor?, ousei pensar. Meu subconsciente gritou um silêncio remoto em resposta. Os pés descalços, as bolhas vívidas e pulsantes. Doía. Não que pudesse de alguma maneira, se comparar à dor que despedaçava meu ser, continua e insistentemente. Os cabelos dançando com o vento, o odor intenso ao Norte. Apressei meus pés, quase sem forças e corri contra o pedido exigente de meu cérebro para voltar. Precisava encontrá-lo, meus olhos mortos necessitavam de uma prova de sua mera existência. Tum. Corri, pulei, rasguei, virei, gemi, chorei. Caminhos imensuráveis, perdidos entre o certo e errado. Lágrimas como facas ligeiramente afiadas trincando minha pele, marcando um caminho desatento e dolorido em minha face. Ao menos não era meu coração. Engano meu. O órgão que me mantém viva, descontrolado, parava algumas batidas e apodrecia em outras. Minha essência, onde estaria? Deixei meu corpo arder em cansaço, caíndo sobre um amontoado de troncos velhos e desconfortáveis. Murmurei um xingamento qualquer, não que fizesse qualquer tipo de diferença, não adiantaria; ninguém podia ouvir. Friccionei as pernas, abraçando-me veementemente, os braços apertados contra meu jeans surrado. Deixei o frio me castigar, os animais observarem minhas lágrimas de redenção caírem inutilmente. Incapaz de fechar os olhos e deixar o véu azul-violeta baixar sobre o céu; respondi ao assobio do vento com murmúrios e resmungos (ou a falta deles). Desejei sua pele contra a minha, roçando e chocando-se delicadamente. Desejei ainda mais o calor sendo emanado de seu corpo, a chama envolvente aquecendo meu rosto. Desejei seus dedos emaranhando meu cabelo, brincando com os fios castanhos enquanto cantava minha canção favorita. Onde estás, meu amor?, o silêncio repetiu a resposta vazia. Oca. Eu me sentia oca. Completamente nada. Ignorei meus dedos dormentes, o vento gélido atravessando minha pele, cortando-a como todas as facas incrustadas em meu coração quase-morto. Chorei mais alto, aclamando por seu nome, chamando-o como se não houvesse outro ser na Terra. Os olhos agora completamente fechados resistiam ao sobrenatural; as pálpebras apertadas cobriam minha visão pela mais profunda escuridão. E por segundos incontáveis permaneci exatamente naquela posição, abraçada entre as pernas, sentindo meu peito ir-e-vir enquanto meu coração definhava. Implorei mentalmente que ao abrir os olhos, seu corpo estivesse junto ao meu, em um abraço terno e incondicional, onde qualquer partícula da minha vida pertencia. Somente eu e ele, um único ser. Uma mistura homogenia. Uma onda de esperança encheu meus pulmões, e se ele realmente estivesse aqui?, pensei. Saiu inesperado, quase incontrolável, e lá estava; os olhos abertos e a escuridão da noite puxando-me para meu inferno particular. Ele não estava lá.