BrighterNight
just a small town girl, living in a lonely world.
full moon.
♥ quinta-feira, 22 de abril de 2010 18:40

À lua cheia, o uivo amortecido pelo rugido enfurecido do que apodrecia dentro de Melanie soou logo após a meia-noite. Não havia escapatória; seu torso ergueu-se em direção às sombras, sua pele envergava e esticava, deixando uma quantia absurdamente grande de pêlos aparecerem na região. Seu focinho era claro, quase acinzentado, e a cor que seu corpo mantinha era de um azul-turquesa quase tão escuro quanto o céu naquela noite. O cabelo, que costumava ser encaracolado na cor mel, estava sendo puxado para dentro de seu crânio. Uivou mais uma vez antes que a transformação houvesse sido completada com êxito.
Grunhiu, precisava de sangue. Seu esconderijo entre a floresta não jazia mais inocentes como reféns. Enquanto Melanie tentava esconder sua natureza híbrida – meio vampiro, meio lobisomem -, a garota ainda persistia em manter-se sóbria. O que em sua mente sádica representava como: sem sangue humano. Só que a sede, ou fome – como ela achasse melhor, ardia e chamuscava em sua garganta.
Acho que é isso que chamam de puberdade, resmungou para si mesma. Os instintos ainda incontroláveis; seu coração falhou uma batida. Um cheiro anestesiante fora inalado por suas narinas infladas.
“Não!”, foi tudo o que ela conseguiu pensar antes de correr pela floresta sombria, seus pés fortes e resistentes devastando galhos e folhas secas pelo chão. Por seu lado sanguessuga, seu corpo monstruoso podia caminhar normalmente, relevando o fato de sua velocidade fora do normal.
Melanie reconheceu o cheiro assim que este adentrara em seus pulmões recriados, era dele.

Chuck adentrava nas sombras, seu medo borbulhando em cada gotícula de suor que escorria lentamente por sua face esbranquiçada. Um arrepio perpassou por sua espinha ao que um ruído falho adentrou sua audição. O que diabos ele estava fazendo ali, naquela noite? Talvez fosse sua busca incessante por adrenalina – o que era de se esperar por um jovem de 17 anos; mas talvez fosse a preocupação que se aglomerava dentro de seu peito desde que Melanie sumira há algumas semanas atrás. Porém, o que mais o preocupava era a quantidade excessiva de assassinatos durante esse período em que sua namorada estava desaparecida. Todos perderam as esperanças, acreditavam que ela era mais uma das adolescentes e vítimas do vulgo serial-killer que possivelmente assombrava a cidade.
Continuou a percorrer a trilha de barro, adentrando pelas profundezas da floresta.

A criatura assistia o caminho do moreno de soslaio, seu paladar queimando tanto quanto o desejo pelo sangue percorrendo por cada veia de seu pescoço. Ela era a assassina e não podia lutar contra isso.
“Não... Chuck... Vá embora, por favor”, implorou mentalmente, já sabendo o que seus caninos fariam ao encontrar a garganta tão saborosa de Chuck.


Texto feito especialmente para a "promoção" da Capricho, que infelizmente, eu não ganhei. Dedico-o à Ana B.