BrighterNight
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just a small town girl, living in a lonely world.
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♥ domingo, 7 de março de 2010 14:48

Álcool. O cheiro petrificante e ardente de álcool adentrava em minhas narinas como perigosas facas, cortando todo o trajeto até chegar aos meus pulmões danificados pela excessiva nicotina consumida durante meus longos e despresíveis vinte anos. O sofá caríssimo e importado da França que minha mãe tanto adora virara um depósito de corpos embriagados e desmaiados em um sono tão profundo quanto as manchas de vômito por todos os lugares. Eu estava fodida. Alguns flashes da noite anterior - ou seria madrugada? - invadiram minha retina, e eu estremeci. A famosa e clichê Sex, drugs & rock n' roll não fazia jus à tudo que ocorrera naquela pseudo reunião de estudos. Meu corpo se deslocou dois passos para frente, a cozinha se distanciava, ou era impressão minha?, logo vi-me caída de bruços entre muitos dos corpos sonâmbulos. Balbuciei e levantei com o máximo de esforço, meu corpo estava tão fraco! Rolei os olhos pela casa uma última vez antes de correr porta à fora e deparar-me com o jardim sem-vida. Parei e respirei a maior quantidade possível daquele oxigênio puro e sem resquícios de álcool em sua composição. Era confortável e aconchegante. O vento carregou consigo alguns fiapos de cabelo soltos, arrastando-os por minha face pálida e igualmente esbranquiçada. Fitei o céu e tudo o que vi foram as diversas formas das mais lindas nuvens girarem ao meu redor; meu corpo girou ao seu ritmo. Ao ritmo da Terra. Meus braços abertos e meu corpo voava lentamente em minha imaginação. Por um segundo, mesmo que mísero, eu os senti elevarem-se. Deveras preponte que minha imaginação era. Minha audição se perdeu, e eu só conseguia escutar os cântigos dos passarinhos que voavam e a natureza chamar-me. Como um filme antigo, tudo ficou preto e branco. Sem cores. Sem som. E tudo estava perdido mais uma vez.
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